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EDITORIAL
10/08/2010 (11:19) RICARDO LIMA NO OLHO DO FURACÃO Existem coisas novas e coisas boas em Juazeiro do Norte. O problema é que as coisas novas não são boas. E as boas não são novas. Uma vez mais, os escândalos político-administrativos do prefeito Santana voltam a ocupar as atenções. Como em quase todas as vezes, não é propriamente Santana o responsável, mas seus auxiliares. O eterno foco das sucessivas crises que põem o Município de Juazeiro à beira do precipício econômico-financeiro. O secretário de Educação (logo essa Pasta...) Ricardo Lima é o convocado da semana da Comissão Especial Processante - CEP da Câmara Municipal de Juazeiro. A CEP é uma coisa boa na realidade juazeirense, embora as tentativas de instalação desse órgão do Poder Legislativo sejam antigas. O que os vereadores desejam saber do Senhor Ricardo Lima? Simples. O que ocorreu em nada menos que 18 licitações da Secretaria de Educação, nas quais há suspeitas de irregularidades envolvendo o órgão e construtoras do empreiteiro Cícero Joaquim. O “esquema”, e é esse o nome dado ao aparente conluio envolvendo o empreiteiro e a Secretaria de Educação, seria comandado por Ricardo Lima, em parceria com Cícero Joaquim. A serem verdadeiras as conclusões preliminares da CEP, que se baseia em parecer do vereador Tarso Magno, esse será o maio escândalo político-administrativo da História da Secretaria da Educação e um dos maiores de Juazeiro do Norte, que comemora seu centenário de emancipação política. O vereador Tarso Magno vai além. Ele acusa o Senhor Ricardo Lima de ser um quadrilheiro. Essa é uma acusação forte, rotunda e extremamente grave para um homem que ocupa a Pasta da Educação, responsável pela boa formação cívica, moral e intelectual da juventude do município caririense. O titular de uma Secretaria de Educação, em geral, é um educador reconhecido, um homem de moral ilibada e de reconhecidas contribuições à causa da formação dos jovens. O Senhor Ricardo Lima não ostentava todas essas qualidades. A seu favor havia a presunção de que se cuidava de um homem moralmente probo. Essa era a única credencial que ele possuía para tão importante cargo. A depender dos vereadores da Câmara Municipal, nem essa resistiria a um exame mais acurado. Os vereadores não estão sozinhos nas suspeitas contra Ricardo Lima. Eles baseiam-se em insuspeitos relatórios de auditoria do Tribunal de Contas dos Municípios. O Partido dos Trabalhadores é hoje a maior sigla com atuação política no Brasil. Esse fato ninguém contesta, mas em Juazeiro do Norte, a situação de Ricardo Lima torna o partido pequeno, menor. Ele não se mostra à altura da grandeza do PT. A assimetria entre Ricardo Lima e o PT é angular. A permanência do Senhor Ricardo Lima em seu cargo é fonte de crise e de suspeita. Sua culpabilidade depende da consistência da investigação da CEP. Até agora, pesam contra ele suspeitas, que podem ser afastadas por uma demonstração cabal de inocência. Mas, sua continuidade em funções gera desconfianças e insegurança social. Uma atitude digna seria licenciar-se até o fim das apurações. Demonstraria grandeza. Se não dele, ao menos do prefeito Santana, cuja imagem nos meios populares anda bastante desgastada. E não faltam razões para isso.
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