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EDITORIAL
29/03/2011 (11:36) TUBERCULOSE NO CARIRI: QUEM É O RESPONSAVEL? A tuberculose é uma doença que acompanha a humanidade desde seu início. As referências a ela estão presentes na literatura de quase todos os países e de todas as épocas. São famosos os poeta, músicos, artistas, militares e políticos, na realidade e na ficção, que sofreram e, muitas vezes, morreram por se terem contaminado pelo bacilo de Koch. O Cariri, especificamente Crato, Juazeiro e Barbalha, está no centro de uma nova polêmica: por que tantos casos de tuberculose? O que está havendo? Em 2011, foram identificados 33 ocorrências da tuberculose nos três municípios. É algo extremamente grave e que chama a atenção dos serviços médicos, além de causar profundo sentimento de insegurança sanitária na população desses municípios. O desenvolvimento das condições de infraestrutura, a educação sanitária, a melhoria dos indicadores de alimentação, enfim, todo o conjunto de melhorias que as nações ocidentais experimentaram na segunda metade do século XX foram determinantes para a diminuição dos casos de tuberculose e sua erradicação (ou quase isso) em diversos centros. O número de ocorrências da tuberculose no Cariri em 2011 é algo que vai na contramão de todo esse processo. E, o mais grave, é que não aparecem os responsáveis por essa triste e lamentável realidade. Uma hipótese para justificar esse aumento de casos é a própria situação de falência dos serviços médicos oficiais no País. O Cariri não fica atrás nesse processo de decomposição da saúde pública. Sobre isso é desnecessário insistir, repisar ou dar mais ênfase do que o usual. Esse é um território sem qualquer tipo de controle de eficácia de políticas públicas. As esperanças de transformação e de mudança sucedem-se a cada novo Governo, em todos os níveis da federação, e são igualmente frustradas. Não se pode admitir o aumento dos casos de tuberculose. Os meios de controle e de tratamento estão muito evoluídos. A contribuição da microbiologia nos séculos XIX e XX foi impressionante, desde os grandes e pioneiros estudos do médico alemão Robert Koch. Como justificar esse estado de coisas em pleno século XXI no Cariri? A palavra está com as autoridades públicas. Sanitárias e não sanitárias, diga-se de passagem. As escolas públicas e a publicidade oficial deveriam ser empregadas, de maneira conjunta e articulada, para dar às pessoas o conhecimento sobre a doença, seus modos de contágio e as formas de tratamento. A tuberculose é de fácil transmissão e, desde o início de sua descoberta científica, os meios de controle e prevenção foram objeto de especial cuidado pelos Governos. Há, ainda, um grande estigma social em torno da tuberculose. As pessoas são tocadas pelo sentimento de preconceito e de vergonha. Isso faz com que a comunicação da tuberculose seja demorada e aquém do necessário. Isso leva a tratamentos ineficazes e à contaminação de indivíduos de um mesmo grupo familiar ou de uma comunidade. A ignorância é também perigosa em se tratando dessa doença, cuja fatalidade existe, a despeito da grande evolução nos meios de cura e de tratamento. Alguém precisa assumir a responsabilidade e combater esse vergonhoso estado de coisas. A tuberculose não espera.
EDITORIAIS ANTERIORES (15/03/2011) DROGAS, AIDS E CRISE MORAL NO CARIRI |
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